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Lua Nova (2008)

Autor Sinopse
Para Bella Swan, existe algo mais importante do que a própria vida: Edward Cullen. Porém, estar apaixonada por um vampiro é mais perigoso do que alguma vez ela poderia imaginar. Edward já salvou Bella das garras de um vampiro maléfico, mas agora, à medida que a sua destemida relação ameaça tudo o que se encontra por perto e todos os que lhes são queridos, eles apercebem-se de que os problemas podem estar apenas a começar...

Legiões de leitores, arrebatados por Crepúsculo, um best-seller do New York Times, estão ansiosos pela continuação da história dos amantes perseguidos pela má sorte, Bella e Edward. Em Lua Nova, Stephenie Meyer assina uma nova e irresistível combinação de romance e suspense, com um toque de sobrenatural. Apaixonante, fascinante e cheia de surpreendentes reviravoltas, esta saga amorosa de vampiros caminha, a passos largos, para a imortalidade literária.

«Lua Nova mais do que alimentar os desejos ardentes de sangue dos fãs do primeiro volume, deixa-os sem fôlego para o terceiro.»- School Library Journal

«Desde a sua capa com uma orquídea até ao final, os fãs de vampiros consumirão vorazmente este intenso volume, de uma só vez, voltando ao início para depois o devorarem de novo.»- VOYA


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9º EM VENDAS

Barroco Tropical (2009)

Autor Editora Sinopse

Uma mulher cai do céu durante uma tempestade tropical. As únicas testemunhas do acontecimento são Bartolomeu Falcato, escritor e cineasta, e a sua amante, Kianda, cantora com uma carreira internacional de grande sucesso. Bartolomeu esforça-se por desvendar o mistério enquanto ao seu redor tudo parece ruir. Depressa compreende que ele será a próxima vítima. Um traficante de armas em busca do poder total, um curandeiro ambicioso, um antigo terrorista das Brigadas Vermelhas, um ex-sapador cego, que esconde a ausência de rosto atrás de uma máscara do Rato Mickey, um jovem pintor autista, um anjo negro (ou a sua sombra) e dezenas de outros personagens cruzam-se com Bartolomeu, entre um crepúsculo e o seguinte, nas ruas de uma cidade em convulsão: Luanda, 2020.


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MICHAEL JACKSON A DESPEDITA.

MICHAEL JACKSON  A DESPEDITA.
A MORTE DE UM GRANDE ÍDOLO.

Michael Jackson foi um ícone de gerações

Michael Jackson foi um ícone de gerações. Seu sucesso atingiu o céu, sua carreira baixou ao inferno, sua vida nunca foi na Terra, e agora morto, desapareceu para sempre. Nascido em Gary, nos EUA, começou a cantar com 5 anos como líder do Jackson 5 (lê-se diéquisson faive).

Entretanto não iremos relembrar sua vida, sua vida de Britney Spears macho, iremos falar da sua morte. Michael Jackson morreu de repente, ninguém esperava, muito menos Caju e Castanha. Morreu engasgado no quarto de um hotel na cidade de Alice, WL, nos Estados Unidos.

Milhões de fãs em todo o mundo choraram, Bush prestou condolências, as crianças na África pararam de sentir fome por um dia em respeito ao líder do pop, Bono ganhou o recheio banco-preto meio a meio, Obina fez um gol para ele, Mickey dançou aquele passinho ridículo, Bóris Yeltsin não fez nada e a Hebe chorou.

Michael Jackson para sempre será um exemplo de como não se deve levar a vida. Um grande papel.

anjos caidos a verdade

ANJOS CAÍDOS .

MEU NOME É DANIEL, TENHO UMA FAMÍLIA LINDA , ANA MINHA FILHA CAÇULA E ANDRÉ MEU ADOLESCENTE DE 13 ANOS PROBLEMATICO.MNINHA ESPOSA ROBERTA É CARINHOSA, COMPREENSIVA , SOMOS UMA FAMÍLIA FELIZ, PORÉM TENHO UM SECREDO , SEGREDO ESSE QUE TALVÉS VOCÊ NUNCA ME PERDÔE.
Cinema

'Harry Potter 6' é 'o melhor da série', diz Vaticano

15 de julho de 2009


Foram necessários seis filmes para que Harry Potter tivesse a "bênção" do papa. A mais nova continuação da saga, que estreia nesta quarta-feira nas salas de cinema do mundo todo, foi bem recebida pela Igreja Católica, que havia reprovado os cinco primeiros filmes da série. Pelo menos é isso que sugere uma crítica publicada na terça pelo Osservatore Romano, o jornal do Vaticano.

Para quem ainda está na dúvida se quer ver Harry Potter e o Enigma do Príncipe, fica a recomendação do Vaticano: é o "melhor da série" . "A mistura de suspense sobrenatural e romantismo dá o equilíbrio certo, tornando as aventuras dos protagonistas mais verossímeis", diz o jornal. O filme - o sexto da saga - traz uma batalha final entre o bruxinho e seu arquiinimigo, Lord Voldemort.

A "clara" distinção entre o bem e o mal, aliás, foi um dos fatores que conquistou a Igreja. "A linha entre aqueles que trabalham para o bem e aqueles que fazem o mal parece bastante clara", diz o jornal, que também elogiou os efeitos especiais do longa e o tratamento dado ao romance adolescente da história.

A crítica sinaliza uma clara mudança de opinião do Vaticano. Em 2003, por exemplo, o papa Bento XVI (então cardeal Joseph Ratzinger) disse temer que as "sutis seduções" da saga podiam minar o desenvolvimento religioso das crianças ao confundir o bem e o mal. O jornal do Vaticano chegou a dizer, inclusive, que o filme era "prejudicial" e até "anticristão".

Minha vida em cor-de-rosa[Ma vie en rose] França, Bélgica e Inglaterra, 1997.

Ludovic é um garotinho que se sente mulherzinha desde cedinho. A família hipócrita achava que esta estória era só uma fase e não esperava que fosse render tanto bafafá. Um filme delicioso pra entender a diversidade sexual e o melhor é que é super indicado pra família inteira. Não agride! Destaque aos atores que interpretam os pais da beezinha e às cenas de realismo fantástico.
E não tem como um gay não se emocionar com o final

POESIAS

ANIVERSARIANTES DE SETEMBRO


Cortar o tempo

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente

Carlos Drummond de Andrade


Feliz Aniversário

Alguma coisa está acontecendo,
olhei para o céu, cadê as estrelas???
o sol sumiu;
a lua partiu.........

Sumiram as rosas dos jardins,
Sumiram os peixinhos do mar,
E vento deve estar soprando em outro lugar......

Em busca de ajuda,
procurei os anjinhos,
e nem eles consegui encontar.
Quando de repente um deles,
eu vi tentando escapar.......

Não exitei, e fui logo perguntando:
Anjinho, anjinho: -O que está acontecendo???
E o anjinho mesmo que apressado,
respondeu ao meu chamado:
-Meu rapaz, você não tem do que se preocupar,
todos saíram para comemorar,
o aniversário da pessoa mais linda.......deste lugar......

Fernando Finatti

Soneto de aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Vinicius de Moraes

Poema de Aniversário

Procurei no dicionário,
Com paciência e cuidado,
O real significado
Da palavra aniversário.
Aquele livro pesado,
Mestre dos visionários,
"Pai dos burros" batizado,
Pareceu-me sectário,
Ao responder meu chamado.
Deveras decepcionado,
Joguei o meu dicionário
Na estante, empoeirado,
Para pregar, solitário,
O meu significado
Da palavra aniversário.
Diz assim, o verbete lendário,
Ontem, por mim criado:
"Aniversário: Espécie de relicário,
Muitíssimo bem guardado
Nas folhas do meu diário,
Dos versos que eu escrevi,
Com todo amor, e não li,
Durante o ano passado."

Carlos Eduardo Drummond

A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe.Fósforo que foi riscado.Nunca mais acenderá.Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festa de aniversário.Se uma vela acesa é símbolo de vida, uma vez apagada ela se torna símbolo de morte.

Rubem Alves

Parabéns amor, felicidades pelo seu aniversário, que os seus sonhos e desejos possam tornar-se realidade, principalmente se eu fizer parte deles.
Sabe, eu gostaria de ter o dom de expressar em palavras tudo o que eu sinto por você, mas infelizmente, não sou um poeta, mas as vezes acho que nem mesmo se eu fosse um poeta conseguiria explicar para você esse meu sentimento.
Pois como explicar com palavras algo que se sente tão profundo, como explicar o que é esse coração acelerado, quando você chega, ou esse desespero quando você sai.
Essa alegria sem fim quando você me abraça, ou esse calor imenso quando você me beija, você consegue desestruturar o meu ser de uma forma inexplicável, e eu chego à conclusão apenas de uma coisa: eu te gosto com todas as forças do meu ser, de maneira egoísta, pois eu te quero só pra mim; de maneira suave, porque me sinto flutuar, quando estou ao seu lado, mas principalmente, de maneira plena, pois você me completa.

Parabéns! Amo te amorzinho.


POEMINHA SENTIMENTAL

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

Mario Quintana

QUEM SOU EU?

OI AMIGOS MEU NOME DHENNYOZ ANDREWZ TENHO 33ANOS E ADORO ESCREVER, RESOLVI CRIAR ESSA PÁGINA NA INTERNET PARA DAR DICAS DE FILMES , LIVROS , OUTROS SITES, BLOGS E VÍDEOS CONFESSO QUE TENHO UMA QUEDA POR CONTOS , ORA OU OUTRA ELES IRÃO APARECER POR AQUI , TAMBÉM GOSTO UTILIDADE PÚBLICA COISAS DO DIA-A-DIA.
DEIXO MEU E-MAIL PARA DÚVIDAS , CRÍTICAS E SUGESTÕES:
(dhennyoz@hotmail.com) .PROMETO RESPONDER ASSIM QUE PUDER. ATENCIOSAMENTE DHENNYOZ ANDREWZ.

sábado, 8 de agosto de 2009

CONTOS DE CORRER!!!

O DESPERTAR DE ELISA

Autor: Fernando Ferric

“Colégio Sta. Maria 1961

Elisa já não conseguia prestar atenção na aula, se contorcia de um lado para o outro com as mãos entre as pernas que balançavam tentando segurar.

- Elisa! Posso saber o que está acontecendo? – perguntou a professora chamando a atenção de toda a classe.

Era o que Elisa temia, a sala toda olhando para ela, sua pele pálida ficou ruborizada. Elisa era uma garota tímida, não tinha amiga, e era sempre hostilizada no colégio. Toda escola tem um aluno que é alvo de piadas, gozações e humilhações. Ela era a preferida no colégio feminino Sta. Maria, um dos mais rígidos e tradicionais colégios de São Paulo.

As outras meninas judiavam dela, por ser extremamente ingênua e não ter o padrão de beleza ideal para elas. Elisa era magra, de pouca estatura, cabelo preto escorrido, seus olhos verdes ficavam quase escondidos pela longa franja.

Foi assim durante anos, e Elisa aos dezesseis não era muito diferente de quando ingressou, sempre introvertida, era muito difícil vê-la sorrir, não participava das conversas e rodinhas das suas companheiras de sala. De família humilde, Elisa se esforçava o máximo para tirar boas notas, mantendo assim a sua bolsa de estudo.

Agora não tinha saída, ela já sabia que seria motivo de piada novamente. Levantou-se e com a cabeça baixa pediu:

- Desculpe professora... É que eu preciso ir ao banheiro.

- Porque você não foi na hora do intervalo? – perguntou a professora sem obter resposta. - Vai! Não quero ninguém fazendo na calça, justamente na minha aula.

A turma foi ao delírio. Elisa se arrumou rapidamente e saiu da sala sob o coro de Mijona!”

As meninas aguardavam com ansiedade a chegada de Clara, elas combinaram de se encontrar no vestiário.

- Você não quer ligar pra ela? Está demorando. Não temos muito tempo. – disse Regina.

- Ela deve estar chegando. Vou mandar uma mensagem. – respondeu Ana.

- Não precisa! Já cheguei...

- Clara! Ainda bem, não temos muito tempo. E aí conseguiu? – perguntou Regina

- Claro! Olha aqui... – respondeu Clara tirando da mochila um pedaço de cartolina e uma caixa de papel.

Clara estendeu a cartolina no chão e colocou trouxinhas de pano em cada extremidade enquanto Ana acendia as velas.

“ Elisa caminhou pelo corredor escuro do vestiário de cabeça baixa tentando não chamar atenção. Impossível! Havia algumas meninas se trocando no vestiário e uma delas logo percebeu sua presença. A garota ficou espiando pela fresta atrás dos armários para ver em qual banheiro ela entrava.

- Pessoal, sabe quem acaba de entrar no banheiro? – sussurrou – Aquela menina esquisita. Como é mesmo o nome dela?

- Elisa? Não acredito! – respondeu a amiga dando um largo sorriso – Vamos dar um susto nela?”

Na cartolina estava o alfabeto e algarismos distribuídos em círculo e as palavras sim e não em cada extremidade.

Sob os olhares atenciosos de suas amigas Clara explicava com calma, passo a passo o ritual para a comunicação com espíritos através do jogo do copo.

- Sempre tive medo de brincar com isso. E se der errado? – disse Ana

- Não fique com medo. Já fiz várias vezes e nunca aconteceu isso, só precisamos seguir as regras direito para que não ocorra nenhum problema. O segredo é acreditar e não demonstrar medo. – respondeu Clara.

As meninas deram as mãos em torno do tabuleiro e começaram o ritual.

- Estamos aqui para nos comunicar com o plano espiritual, gostaríamos de fazer perguntas aos espíritos que aqui se encontram. – disse Clara.

Com o dedo indicador em cima do copo, elas começaram a invocação.

- Tem alguém querendo se comunicar? – perguntou Clara

O copo permaneceu imóvel.

- Algum espírito gostaria de se comunicar? – perguntou novamente.

- Acho que eles não estão muito afim. – disse Regina

- Concentrem-se! Deixem a mente vazia... – disse Clara – Invocamos os espíritos que aqui estejam e queiram se comunicar. Tem alguém ai?

O copo se arrastou vagarosamente até a palavra SIM e retornou para o centro. Ana e Regina arregalaram os olhos.

- Você quer se comunicar conosco? - perguntou Clara.

O copo novamente se moveu na direção afirmativa.

- Quem é você? Pode dizer o seu nome? – perguntou Ana

O copo começou a se mover quando foi interrompido por uma forte batida no armário.

- Posso saber o que vocês estão fazendo aqui?

“As garotas retiraram folhas de seus cadernos, juntaram embaixo da porta sem que Elisa percebesse, e colocaram fogo. O papel começou a queimar rapidamente, as chamas começaram a queimar o fundo da porta. Elas tentavam segurar a vontade de rir e se amontoavam no banheiro ao lado para ver o que aconteceria. Elisa se assustou ao ver toda aquela fumaça saindo da porta, vestiu sua saia rapidamente e tentou abrir a trava, mas o fogo estava consumindo rapidamente a velha porta de madeira. Ela começou a berrar desesperada e as meninas riam com toda a situação.

- Elisa aqui em cima! Suba por aqui! – gritou uma delas no vão do banheiro ao lado.

O sistema de incêndio foi acionado, o alarme ecoava pela escola inteira.”

Clara levantou assustada e ficou na frente do tabuleiro, ela conhecia essa voz. Todos no colégio conheciam. Era a inspetora Helena, a funcionária mais velha do colégio, sua vida era o Sta. Maria, não se cansava nunca de desempenhar o duro trabalho que carregava há quase quarenta anos.

Elas rapidamente foram ao encontro da inspetora para evitar que ela visse o tabuleiro.

- Desculpa Dona Helena, sou eu, a Clara.

- O que vocês estão fazendo nessa escuridão meninas?

- Estávamos procurando o brinco da Regina, mas já encontramos. – retrucou Clara tentando disfarçar.

- E estão procurando brinco no escuro? Ora vamos logo! Vocês estão atrasadas... Mas o que é isso? Pra que essas velas?

As meninas tentaram, mas, não conseguiram enganar a velha inspetora.

- Alguém pode me dizer que diabos é isso?

As meninas ficaram sem reação...

- Até você Clara?

- Eu posso explicar. Isso é apenas um jogo. – disse Clara

A inspetora se abaixou e com sua lanterna iluminou o tabuleiro.

- Isso mais parece um culto a Satanás. As senhoritas conhecem as regras da nossa escola. Jogos não são perm...

A velha Helena não podia acreditar no que via. O copo começou a mover-se sozinho pelo tabuleiro.

“Elisa apoiou-se no vaso sanitário, tentando atravessar a divisória.

- Isso Elisa! Força! - gritou desesperada uma das meninas – Você está conseguindo!

Ficou na ponta dos pés, chegando ao limite e segurou firme a divisória. Os sapatos molhados não sustentaram a pressão, Elisa não conseguiu se segurar, sofreu uma forte alavanca e bateu a cabeça no vaso.

- Oh! Meu Deus! Ela caiu! Ela caiu! – gritou a menina desesperada.

O zelador e a inspetora entraram correndo pelo vestiário com um extintor. Enquanto ela tentava apagar as labaredas que consumiam a porta, o zelador subia pelo banheiro ao lado.

- Ela está ferida. Helena, eu vou ter que pular.

O zelador saltou e com pontapés derrubou o que restara da porta.

Elisa estava caída com um corte profundo na cabeça, o vaso estava repleto de sangue, seus olhos estavam abertos sem nenhuma direção.

- Afastem-se! Afastem-se! – gritava o zelador com a garota no colo.

O vestiário já estava repleto de professores e alunos curiosos, tentando saber o que se passava.

- Minha nossa! Ela está... Ela está... Morta! – gritou a inspetora levando as mãos à cabeça.”

Juntamente com a inspetora as meninas se aproximaram para ver o copo. Ele começou a deslizar vagarosamente entre as letras.

“E”

- Meu Deus está formando algo.

“L”

- Não acredito! O que significa isso Clara?

“I”

- Um espírito... Ele está usando o copo para se comunicar. “S”

- Não pode ser...

“A”

- O espírito está respondendo o que perguntamos. É o nome dela! – falou Regina

- Elisa? Isso é loucura! - disse a inspetora – Recolham isso agora!

- Não podemos terminar assim Dona Helena... – retrucou Clara

As meninas explicaram que tinham que finalizar o que começaram, mas a inspetora não ficou convencida e retirou o copo do tabuleiro.

- Não por favor! Não pode ser assim... – pediu Clara em vão.

- Já vi muito por hoje. E quero as três em quinze minutos em minha sala. – disse a inspetora – E esse material fica comigo.

A inspetora recolheu o copo e o tabuleiro e saiu do vestiário.

“Elisa foi levada para a enfermaria do colégio, mas não havia nada a ser feito. Foi velada no salão de cerimônias do próprio colégio. Usando o vestido preto que vestiria em sua formatura. Sua pele pálida contrastava com o cabelo negro, escorrido, em volto a flores. As mãos repousavam sobre o peito com os dedos entrelaçados segurando um terço de prata. A cerimônia foi interrompida algumas vezes por causa dos desmaios de sua mãe e também para fechar os olhos de Elisa que se abriram duas vezes durante a madrugada. Ninguém soube explicar sua morte e nem achar os culpados por aquela infeliz brincadeira. Elisa se despediu de uma vida que não teve.”

Ainda no vestiário as meninas tentavam entender o que tinha acontecido. Clara disse que nunca tinha visto o copo se mover sozinho daquele jeito. Ana e Regina estavam mais preocupadas com a advertência que provavelmente receberiam.

- Meti vocês em confusão né? Desculpa... – disse Clara.

- Não! Estávamos curiosas para saber como era esse jogo. – respondeu Ana - Gente vocês acham que essa Elisa existiu mesmo? Tinha mesmo um espírito naquele copo?

- Eu acredito que sim! E o pior é que não terminamos, e isso não é nada bom.

Logo após, as meninas se dirigiram a sala da inspetora, ouviram duras broncas, ela condenou aquilo que chamou de obra de satanás e disse que se aquilo se repetisse ela teria que reportar a diretora.

As três prometeram não fazer mais esse tipo de jogo e se preocupar mais com os estudos.

Após saírem, Helena debruçou na janela, e pensou em voz alta:

- Elisa...?!?!

A inspetora jamais esqueceu daquele olhar triste, Elisa sentada em sua sala, chorando, humilhada, tinham destruído o trabalho que ela apresentaria na feira de ciências. A inspetora sempre esperou que um dia Elisa fosse explodir, soltar toda sua angustia, revidar as provocações. Mas isso nunca aconteceu. Quanto mais era provocada, mais se isolava. Por mais que quisesse ela não pode ajudá-la.

No dia seguinte Clara não conseguia prestar atenção na aula, tinha passado a noite inteira pensando no que tinha acontecido. A voz da professora parecia diminuir cada vez mais, os movimentos pareciam cada vez mais lentos...

Mas algo chamou sua atenção, ela viu uma menina passando pelo corredor, pode ver pela janela a menina andar lentamente até a porta. Ela vestia uma camisa branca totalmente fechada, uma saia de pregas azul marinho, e meias brancas. A menina ficou parada em frente à porta, com a cabeça baixa.

Ela olhou para suas amigas, mas todas prestavam atenção no que a professora dizia, se levantou e foi ao encontro da garota. Quanto mais se aproximava menos ouvia a voz da professora. Ficou frente a frente com ela. A menina tremia, as lágrimas escorriam no rosto delicado. Clara passou a mão no rosto da garota e levantou sua cabeça. A pele era pálida, gelada e endurecida, os olhos verdes arredondados tinham as pupilas dilatadas. A menina começou a caminhar pelo corredor. Clara passou a acompanhá-la. Seus passos eram curtos e rápidos. As duas desceram a enorme escadaria e continuaram caminhando. A menina parou em frente à diretoria e quando Clara se aproximou, ela se curvou e começou a expelir sangue. O sangue tomou conta de todo o corredor.

Clara gritou desesperada...

Todos na sala se assustaram com o grito de Clara.

- Clara? – perguntou a professora – O que aconteceu querida? Você está bem?

Ela olhou para a professora e apenas balançou a cabeça.

- Acho que você cochilou. Vá ao banheiro e lave seu rosto.

Regina se ofereceu para acompanhá-la e com a permissão da professora, elas se dirigiram ao banheiro.

- Ela está aqui! Rê, eu vi... Era ela... Elisa.

- Isso é loucura! Você teve um pesadelo.

- Foi real! Eu pude sentir. Ela estava muito triste, e começou a sair sangue de sua boca...

- A brincadeira do copo nos impressionou e você cochilou e acabou tendo um sonho ruim. Eu também não consegui dormir direito à noite.

As duas entraram no vestiário, enquanto Clara lavava o rosto, Regina ficou lendo os recados no mural pregado na parede.

- Que maravilha! Dia vinte tem show dos... Clara?

Ela não estava mais no lavatório. Regina estranhou e foi até o banheiro.

- Clara? Você está ai? – sem resposta, ela começou abrir a porta de cada cabine.

O medo tomou conta de Regina, a cada porta aberta sua tensão aumentava. Restara apenas a ultima porta. Ela suspirou fundo e tentou abrir. Estava fechada.

- Clara? Você está bem? Você quase me mata de susto!

- Clara? Quem está aí? Abra essa porta!

- Rê... Estou aqui! Fui pegar um lenço no meu armário.

- Mas... Se não é você, quem está nesse banheiro?

Nesse momento a trava da porta se abriu. Os pés de Clara e Regina pareciam cimentados pelo medo. A porta foi se abrindo lentamente com um ranger forte e lento.

Elas não esboçaram nenhuma reação...

Até que saiu do banheiro uma garota usando um fone de ouvido. Todas se assustaram. Após ela atravessar o corredor, as duas não conseguiram parar de rir.

- Tá vendo Clara? Estamos muito impressionadas. Você viu a cara dela?

- É verdade. Não sei quem estava com mais medo se era a gente ou ela...

- Precisamos voltar! Daqui a pouco a professora manda alguém ver o que está acontecendo.

- Vai subindo! Eu já vou... Toda essa história acabou mexendo com meu intestino. – disse Clara

Regina sorriu, colocou a mão no ombro de Clara e disse:

- Ok! Mas não demora hein? Bom, pelo menos você está melhor...

Regina saiu do vestiário. Clara, desabotoou a calça rapidamente e entrou no banheiro. E como sempre repetiu o velho ritual antes de travar a porta. Alternou a trava para OPEN e CLOSED duas vezes para não correr o risco de ficar trancada. Clara chegava a ser paranóica com algumas coisas. Tinha diversas manias, na sua casa antes de dormir, verificava pelo menos umas três vezes se tinha fechado a porta. Gostava de tirar todos os aparelhos da tomada e sempre fechar o registro do gás antes de sair.

Após terminar mais uma das suas verificações, enfim pode relaxar. Abaixou a calça, sentou no vaso e com os braços apoiados nas pernas repousou seu queixo sobre os punhos.

Naquele instante ela pôde ouvir passos. Alguém andava rapidamente pelo corredor. A pessoa estava ofegante e de repente bateu a porta e travou. Clara ficou arrepiada, alguém tinha acabado de entrar no banheiro ao lado.

Ela tentou se distrair, mas o som que vinha do outro banheiro a deixava aflita.

Clara podia ouvir a respiração ofegante que saia do banheiro ao lado.

Ela estava com medo, mesmo assim decidiu ver o que estava acontecendo. Subiu em cima do vaso e se apoiou na divisória, tentando espiar.

Viu a menina de cabeça baixa, chorando, com as duas mãos na nuca.

- O que foi? Precisa de ajuda?

A menina levantou a cabeça e estendeu as mãos cheias de sangue.

- Elisa?!?

Nesse momento, ela perdeu o equilíbrio e caiu. Ela estava no vestiário, mas tudo era diferente. Viu um amontoado de meninas conversando. E não acreditou quando viu aquela menina cruzar o corredor. Elisa...

Ela estava entrando no banheiro.

Clara ficou imóvel, olhando tudo o que acontecia ao seu redor. Viu as meninas retirarem as folhas dos cadernos e atearem fogo na porta.

Ela gritou, tentou ajudar, mas nada acontecia. Era como se ela não estivesse lá, era como um pesadelo.

Aproximou-se das meninas que se amontoavam no banheiro ao lado para ver o desespero de Elisa. Viu a maldade estampada no rosto de cada uma delas. Ao perceber que o fogo aumentava as meninas se afastaram do banheiro. Menos uma. Ela estava pendurada no vaso. Clara não hesitou e subiu ao seu lado. A menina dos cabelos cacheados estendeu a mão na direção de Elisa.

- Elisa aqui em cima! Suba por aqui! – gritou

O sistema de incêndio foi acionado, o alarme ecoava pela escola inteira.

Elisa apoiou-se no vaso sanitário, tentando atravessar a divisória.

- Isso Elisa! Força! - gritou desesperada – Você está conseguindo!

Elisa ficou na ponta dos pés, chegando ao limite e segurou firme a divisória até alcançar a mão da menina. Mas, a menina pregava a ultima peça em Elisa. No momento que Elisa conseguiu segurar sua mão ela puxou. Sofreu uma forte alavanca e caiu.

A menina deu um largo sorriso, virou para trás e Gritou:

- Óh meu Deus! Ela caiu! Ela caiu!

Sentindo uma forte dor na cabeça Clara se levantou. Abriu a porta devagar e espiou pela fresta. Não havia ninguém no corredor. Cautelosa, saiu do banheiro sem fazer barulho. Não havia nada no outro no banheiro, e todas as outras portas estavam abertas.

- O que você quer de mim? O que você quer de mim? O que você quer? – gritou

Foi até o lavatório, abriu a torneira, encheu as mãos de água e jogou no rosto. No intervalo, Clara contou para suas amigas o que tinha acontecido.

- Meu Deus... Parecia tão... real... Eu vi, ela estava no banheiro. Ela morreu aqui... Ela morreu no banheiro.

- Isso é loucura. Eu já falei pra você. – disse Regina

- Foi o jogo! Nós a despertamos com o jogo. Mas porque ela me atormenta? O que ela quer?

- Eu acho que sei o que podemos fazer, vamos conversar com a Dona Helena. Ela trabalha há muito tempo aqui, se Elisa um dia botou os pés nesse colégio ela pode nos ajudar.

As meninas seguiram a idéia de Ana. E procuraram a inspetora.

Entraram na sala e Clara começou a contar tudo o que tinha acontecido.

Dona Helena estava espantada. Não conseguia esconder sua perplexidade perante o que ouvia.

- Meninas... Não sei como dizer isso pra vocês. Mas o que a Clara acaba de contar, realmente aconteceu. Elisa estudou aqui nesse colégio há quarenta anos atrás, eu tinha acabado de entrar aqui. Tinha alguns meses de escola quando aconteceu um terrível acidente. Houve um principio de incêndio no banheiro e Elisa tentando escapar acabou tendo um traumatismo. Ela já estava morta quando socorremos. Foi tudo muito rápido.

- Então é verdade? Essa Elisa existiu mesmo? Não quero entrar naquele banheiro tão cedo. – disse Ana

- Sim! Querem ver a foto dela? Nós temos todos os prontuários.

A inspetora Helena abriu o extenso arquivo aonde guardava fichas de alunos de cada ano.

- Hummm... Cinqüenta e sete, cinqüenta e oito... Achei! Turma de sessenta e um.

Ela retirou as fichas e colocou em cima da mesa.

- Aqui está. Essa era Elisa. Ela era um anjo. Um amor de menina.

Clara pegou a foto e ficou olhando atentamente.

- Foi ela... Agora tenho certeza. Essa é a garota que tenho visto.

Dona Helena pediu para as outras meninas saírem da sala. Sentou ao lado de Clara e disse:

- Minha filha, eu disse para vocês não fazerem esse tipo de brincadeira. Mexer com pessoas que já se foram sempre atrai coisa ruim. Vou pedir para o Padre Lauro fazer uma oração no vestiário. Mas me promete que não vai contar para mais ninguém o que me disse. Não quero tumulto na escola. – disse a inspetora.

Clara concordou, mas ao sair, uma das fichas chamou sua atenção.

”Meu Deus... Foi essa garota que eu vi no banheiro. Ela não ajudou Elisa”.- pensou

Olhou atentamente para a foto e disse:

- Dona Helena, quem é essa?

Ela deu um enorme sorriso.

- Ah, sim! Não consegue reconhecer?

- Não pode ser. Jura?

- Sim, minha linda... Sim!

Clara saiu da sala muito confusa. As visões que teve pipocavam em sua mente. Saiu correndo pelo corredor e entrou com tudo na sala da diretora.

- O que é isso menina? – perguntou a diretora.

- Desculpa Dona Shirley. Mas a senhora... Precisa me ajudar. A Dona Helena...

- Calma...

- Não! Eu... Estou bem... Mas a senhora precisa vir comigo. – disse Clara ofegante

- Mas o que está acontecendo?

A diretora acompanhava os largos passos de Clara, sem entender o que acontecia.

- O que aconteceu? Diga o que aconteceu. - perguntou a diretora.

Mas Clara não respondia, andava cada vez mais depressa até parar em frente ao vestiário.

- Aqui! Ela está aqui... Entre, por favor...

As duas entraram no vestiário, a diretora acompanhava os passos de Clara.

- No banheiro, ela está no banheiro!

As duas entraram no corredor dos banheiros.

- Maldito zelador! Quantas vezes eu preciso pedir pra ele trocar essas lâmpadas.

- Ela está naquele banheiro! – disse Clara

- Não tem ninguém aqui menina! – respondeu a diretora ao abrir a porta.

Clara empurrou a diretora para dentro do banheiro e a porta se fechou. Ela se levantou e tentou abrir, mas sem sucesso.

- O que você está fazendo? Menina estúpida! Você vai pagar por essa brincadeira. Vai me pagar! – gritou enquanto socava a porta.

- Está com medo agora, senhora diretora? Engraçado... Achei que gostasse de brincar no banheiro. Você não gostava? Você e suas amigas?

- Cale essa boca! Você será expulsa! Menina insolente... Abra essa porta!

- Isso não te lembra alguma coisa?

- Não sei do que você está falando. Você deve estar maluca! Abra essa porta!

De repente um som estranho invadiu todo o vestiário. As portas dos armários começaram a bater. O ar ficou pesado e frio...

- Ela está chegando Dona Shirley. Consegue sentir? Elisa está aqui!

- Isso é loucura! Ela está morta! Elisa está morta!

- Sim ela está morta... Mas ela quer acertar as contas com alguém que lhe fez mal... Uma ex-aluna da escola. Uma garota mimada que adorava fazer maldade. Consegue se lembrar diretora?

A diretora estava cada vez mais desesperada. De repente ela sentiu algo agarrar sua perna. Ela olhou para baixo e viu Elisa saindo de um imenso buraco que se abria no chão. Ela estava com o rosto coberto de sangue. A diretora tentava se desvencilhar, mas não conseguia. Sentia seus ossos serem quebrados pela pressão exercida. A diretora gritou por socorro, e agarrou-se no vaso, mas já não conseguia conter a força de Elisa. Ao olhar para cima pode ver Clara, espiando tudo pela divisória.

- Me ajude... Por favor... Por fa...

A diretora foi completamente engolida pelo buraco, que então se fechou.

A diretora jamais foi encontrada. Seu desaparecimento ganhou notícias diárias em vários jornais e emissoras por um longo período.

Alguns meses depois:

Clara estava jogando handebol em um campeonato na escola. No calor da partida uma menina lhe acertou o rosto com uma bolada.

- O que foi sua idiota? Não gostou? Fracote!

Clara se virou para a arquibancada e lá estava Elisa observando atentamente. Ela então voltou seu olhar para a garota, deu um sorriso e disse:

- Vamos resolver isso, eu e você... Após a aula no vestiário.

FIM

O PROFESSOR

Autor:Jeduartejr

elizabeth

Rachel percebia que ele a olhava estranho.O professor Augusto a tinha chamado para conversar sobre um determinado assunto.Só o educador e a adolescente se encontravam na sala de aula.Estranho, muito estranho.

-Sente-se Rachel.

Rachel se sentou, mesmo estando contrariada.Um professor não faria mal a uma aluna.

-A Jaqueline disse que o senhor me chamou.

Ele a fitou, sério.

-É... verdade.

-Bem, estou esperando.

Augusto a fitou mais sério ainda.O que aquele homem estaria prestes a dizer?

-Espero que me entenda, Rachel.

-Se o senhor me contar?

Ele ficou encarando os próprios sapatos, olhou para ela. Aquele homem estava prestes a contar.

-Você acredita em Deus?Acredita em um homem que nos protege todas as noites e que nos encaminha ao bem?

Ela deu um risinho.O que aquele doido queria?Estava Fazendo ela perder o intervalo.

-É sério?-Ela perguntou.

-Acredita que Lúcifer pode fazer a mesma coisa?

O sorriso de Rachel tinha sumido.

-Eu... acredito em Deus.-Sua voz passava medo.

-E no Diabo, você acredita?

Ela cruzou as pernas, depois descruzou.

-Pra que isso, professor?-Perguntou, com um sorriso tímido.

Augusto deu um risinho.

-Você é minha amiga, Rachel?

Ela olhou para a porta, depois voltou a olhar o homem.

-Sou, senhor.Não teria motivos para não ser.

Ele se remexeu um pouco incomodado, parecia estar preocupado.

-E... se eu... se eu lhe... se eu fosse o mensageiro de Lúcifer na Terra?Você ainda seria minha amiga?

Silêncio... Rachel não respondeu.Que conversa era aquela?Aquele homem não deveria andar por aí nas ruas, muito menos ser um professor.

-Tudo bem, Rachel.-Se levantou, foi até a porta.-Você já pode ir.-Disse, abrindo a porta.

Ela se levantou, queria sair logo, quanto mais rápido melhor.

-Até logo, senhor.-Disse, saindo.

-Até breve, Rachel.Até breve.-Ele a olhou por um instante.-Espere.

Ela foi se virando, bem devagar.Não acreditava naquilo.O professor portava em sua mão esquerda uma pequena faca.

-Sim, senhor?-Seus olhos fitavam a arma.

-Venha aqui.

Ela deu dois passos, dois passos cheios de medo.

O professor a olhou, parecia pensar no que estava prestes a acontecer.Rachel passou a mão na testa, enxugou o suor do medo.

Pânico... O professor tinha enfiado aquela pequena faca no coração da menina.

-E agora?Você ainda é minha amiga?

-Filho da...-Ela caiu no chão.

Rachel, a adolescente que tinha toda uma vida pela frente, estava agora morta.O que seus pais pensariam?Pobre do pai, pobre da mãe.

Uma coisa branca começou a sair do corpo da menina; aquela coisa foi tomando forma, virando gente; virou uma menina, ou pelo menos da cintura pra cima.

-Porque, professor?Porque tirastes a minha vida?-A voz, suave como o vento.

-Você foi muito má, Rachel.-A voz bem baixinha.-Minha menina, sabe quem sou?

Ela não respondeu.Um sentimento tocou seu coração e ela pareceu lembrar de tudo.

-Isso mesmo, Rachel.Você me tirou da minha mãe, da sua mãe.Eu era apenas um bebê naquela barriga, Rachel.Você não teve piedade, minha irmã.

-Foi... um acidente.Eu não queria derrubá-la.

O professor soltou um risinho.

-Será?Minha menina.Será que você realmente gostaria de ter um irmão?

Uma lágrima escorreu pelo rosto ventoso da menina.

-Eu sinto muito meu irmão... por... favor... me perdoe...

-Sim, Rachel.Está perdoada.Vá, descanse em paz.

A fumaça branca foi sumindo aos poucos.Augusto apenas notou a feição triste que se fazia formar no rosto da pobre menina.

-Pobre Rachel.

VÔO NOTURNO

Autor: Paulo Arnold

sucubus

Do alto do meu esconderijo observo, enquanto os últimos raios mornos do sol somem por entre as construções, a carcomida e decrépita, outrora poderosa, cidade com seus prédios sujos e mal cuidados. E ruas onde seres andam e que, de onde os avisto, me lembram formigas ou pequenas baratas, talvez .

Finalmente, quando a escuridão prevalece, me dirijo até a beira do abismo; sinto o vento frio misturado com gotículas de chuva esparsa em minha face e o mesmo vento inflar minhas asas e então mergulho no infinito, e vou planado, descendo lentamente sobre a ruína da velha cidade e de seus construtores atormentados.

Por entre os altos prédios, vou flutuando, aproveitando as correntes de vento encanado por suas paredes úmidas, cobertas de sujeira em tons cinza.

Desvio rápido para as sombras quando desconfio que algum deles possa ter-me avistado, a maioria não me vê pois sua percepção é bloqueada por sua incredulidade, mas alguns poucos me avistam, vou flutuando observando mendigos, prostitutas, viciados, trabalhadores se dirigindo apressados para o local onde vão tentar se esconder da decepção, não...não quero nenhum destes, prossigo minha busca enquanto a neblina se mistura com a luz amarelada de lâmpadas que iluminam as ruas de forma fantasmagórica.

Em um momento, então, algo me chama a atenção; em uma viela escura, calçada com pedras que brilham por conta da umidade que as cobre, um ser se movimenta; seu caminhar emite um som nervoso, que combina com seu andar rápido, a refletir a sua ansiedade em chegar a algum local, e suas formas esguias e provocantes, cobertas por uma roupa elegante, não combinam com o local. Ele carrega uma espécie de pacote em seus braços e eu mergulho em sua direção.

Um rasante sobre ela arranca uma espécie de chapéu e deixa à mostra um longo cabelo ruivo e com a surpresa ela deixa o pacote cair e algumas coisas se espalham pelo chão; volto e lentamente pouso à sua frente, enquanto ela tenta em vão catar os objetos que alegremente criaram vida própria e tentam se afastar, rolando por todo lado no calçamento úmido.

Ela ergue-se, desistindo da tentativa de catar os objetos, e me fita com um olhar misto de indignação e ódio e, para meu espanto, não de medo e horror, como o de outros tantos que abordei; e mais, diferente dos outros, ao invés de tentar fugir, com um salto investe sobre meu ser em uma tentativa de atacar; eu a observo enquanto ela tenta me atingir com golpes contra meu peito com suas delicadas e macias mãos possuidoras de longas unhas pintadas, que tentam me arranhar, e inexplicavelmente sinto uma sensação que parece ser alegria ou simpatia, permitindo que ela fique mais alguns instantes em sua labuta agressiva. Então, como de costume, depois de alguns instantes, assumo o controle de sua razão e a coloco em um transe estático e inicio a absorção de sua energia etérea; mas, em dado momento, algo está incomum, sua energia é diferente, ela me deixa em um estado diverso do normal, estranhas sensações percorrem meu ser, estranhos impulsos tomam conta do meu pensar e com este fato o transe estático se rompe.

Agora, quem tem a expressão de espanto sou eu, ao observar aquele ser que me parece o mais belo do universo, com suas formas que me atraem de forma irresistível a atenção. E então ela sorri, um sorriso misterioso e sedutor. Enquanto fico imóvel e encantado com sua visão, novamente ela se encosta a meu ser, mas agora me afaga. E onde me feriu com suas unhas, aproxima sua boca e beija e lambe as pequenas incisões. O contato com sua boca produz um flash em meu pensar e isto me tira do meu torpor. E de forma instantânea retribuo as caricias. Depois, a levo para um canto escuro, onde percorremos ambos nossos corpos em busca de mais e mais sensações. Em ritmo frenético, eu a livro de suas roupas e, finalmente, nos lançamos na busca de prazer, nos misturando, trocando nossas energias em ritmo alucinante por momentos que parecem durar uma eternidade de gozo e prazer, e em um flash, assim como começou...acaba. Afasto-me um pouco e a observo enquanto novamente veste suas roupas, enquanto me fita e sorri, no seu olhar identifico satisfação. Percebo então que o senhor do dia está próximo de se apresentar e como tal devo me recolher; dou uma última olhada para aquele ser que agora parece estar novamente em uma espécie de transe estático, com olhos abertos olhando o nada e então com um impulso ganho os ares novamente, vou subindo em círculos enquanto observo aquele ser retomar seu caminho como se nada tivesse ocorrido de diferente de sua rotina diária, dando a entender que tudo que passou se apagará de sua mente consciente.

Enquanto me dirijo ao meu local de pouso, onde sempre aguardo o senhor do dia se retirar, reflito e penso:

-Será desta forma que minha raça se perpetua?

-Além de necessitar destes seres para absorver energia etérea, também necessito deles para manter minha existência como raça então ?

Quando chego em minha morada, já não mais me atormento com essas questões, pois sei que existem mistérios que não me serão revelados, pois não está ao meu alcance seu entendimento, e aceito que sou apenas mais uma peça deste mistério.

Fecho meus olhos e aguardo novamente a noite serena chegar.

Nota do editor: para comentar este conto, e ler os demais comentários, clique abaixo, no “fórum dessa enquete”.

BEIJOS GELADOS

Autor: Fernando Ferric

morta

Seus olhos brilharam quando ela viu aquele corpo. Com as pontas dos dedos, ela podia sentir a temperatura e a maciez daquela pele branca totalmente despida. Camille também se despiu e começou a alisar o peito, os braços, as pernas, sentir cada músculo. Seu corpo tremia de prazer. Com os lábios, sentia o sabor... Era algo inexplicável. O prazer só dependia dela. Apreciava beijar aqueles lábios frios, lambê-los... Fazia suaves movimentos circulares com a língua. Subiu em cima dele e simulou uma penetração impossível.

Enquanto se esfregava e gemia de prazer, olhava para o amigo que a assistia no canto da sala, sentado em uma cadeira. Enquanto fazia isso, tocava suas partes intimas, excitando-as. Marcos adorava ver aquilo. No entanto, já era tarde. Sussurrando para não ser ouvido, pediu para que ela terminasse, pois os familiares já estavam na sala ao lado, esperando o ente querido. Ele precisava terminar os preparativos, maquiar e vestir o falecido. A garota deu-lhe um beijo de agradecimento por mais uma noite de prazer e se foi.

Camille e seu amigo agente funerário se conheciam há muito, desde os tempos de colégio. Em certa época da vida, descobriram o mesmo gosto pela morte. Isso se deu quando ela, curiosa, quis visitar o local de trabalho do amigo. Ao avistar o corpo másculo de um rapaz, excitou-se. A partir dali, convenceu o amigo a liberar sua entrada no necrotério municipal para suas pequenas orgias. No inicio, Marcos achou muito estranho, mas, levando em conta o corpo dela, moldado em academias, cedeu, participando algumas vezes da festa. Geralmente, esses eventos aconteciam à noite. Durante o dia, a garota estudava em sua casa.

Assim que um corpo de homem que, aos olhos dele, agradaria Camille, dava entrada no necrotério, o amigo ligava para ela; naquela noite não seria diferente...

- Oi – beijou-o – E meu falecido. Quem é?

Ele sorriu.

- Você vai gostar. – descobriu o lençol branco. O nome dele é Roberto, tinha 23 anos e morreu em um acidente de moto, mas não ficaram muitas marcas.

Ela o examinou e abriu um largo sorriso.

- Hummm, ele parece ser bom. – tocou-o – Eu estava precisando me distrair mesmo... Tava de saco cheio de ficar em casa!

- Mas temos que ser rápidos. A família já está na sala ao lado, esperando para o velório.

Ela assentiu com a cabeça. Esses riscos a excitavam. Adorava ser pressionada.

- Vou deixar vocês a sós por um tempinho, enquanto preparo a roupa e a maquiagem. – virou-se para o corpo – Seja um bom garoto, Roberto! Faça tudo o que ela mandar... – disse, saindo.

Camille aproximou-se do ouvido do falecido e sussurrou:

- Agora somos só eu e você, Beto!

Passou dois dedos nos lábios do falecido e levou-os aos seus, isso um pouco antes de tirar a sua blusa e deitar sobre o corpo frio à sua frente. Em seguida, colocou a língua para fora e lambeu a boca dele, sentindo o gosto cru da morte, além de seu cheiro acre. Para ela, amar um morto, mesmo que por alguns minutos, era algo mágico, diferente, um ritual com muita energia. Não era apenas sexo. Marcos também gostava, mas em uma escala menor. Sempre que entrava um cadáver de mulher que o agradava ele passava a mão e se acariciava também.

Camille estava muito excitada e passou a se masturbar, gemendo baixinho, enquanto aumentava o ritmo em que conduzia a mão do cadáver. De súbito, Marcos retornou a sala, deslumbrando a cena. Ficou ali, encostado na porta, olhando-a . Com os olhos entreabertos, ela ensaiou dizer um “vem” com os lábios. Contudo, o som não saiu. O amigo entendeu e aproximou-se. Os dois se beijaram e amaram-se por longos minutos. Seria quase um ménage se Roberto pudesse agir.

Saciados, vestiram-se e prepararam Roberto para o velório. Ela, de tanto acompanhar o amigo nas madrugadas na funerária, já havia adquirido experiência em maquiar e vestir os mortos.

- Pronto! Está lindo, arrumado e cheiroso... Se pudesse ficaria horas com ele. – disse, enquanto acendia seu cigarro.

- Quando o presunto é boa pinta, fica mais fácil, né? – respondeu Marcos – Estou uns quinze minutos atrasado. Vou pedir para os rapazes me ajudarem com o caixão. – beijou-a.

- Valeu! – sorriu – Quando tiver umas carnes gostosas assim, não deixe de me ligar. – deu uma leve piscada e saiu.

Camille saiu pela porta dos fundos, como de costume, e foi andando lentamente, passando por trás das salas de velório. Enquanto caminhava, observava a lua minguante no céu, cercada de estrelas. Adorava o cheiro suave da noite. Nela, todos os seus prazeres eram consumados. Contudo, por conta dessa observação, deixou de prestar atenção por onde andava, razão pela qual tropeçou em um pedaço de lápide cravado na terra. A conseqüência disso foi uma queda que fez sua cabeça ir de encontro a uma pedra tumular. Ficou alguns segundos atordoada. Ao se levantar, passou a mão na testa e notou que havia um pouco de sangue.

- Mas que merda! – resmungou.

Enquanto tirava terra da roupa, procurou onde tinha tropeçado e achou o resto da lápide. Havia uma inscrição. Ela se agachou e limpou a terra que escondia uma parte.

Maldito daquele que perturbar o descanso dos mortos.

Camille assustou-se. Achou de mau gosto alguém ter colocado aquilo em uma lápide, Parecia uma ameaça, uma maldição lançada.

- Uma maldição lançada para mim... – pensou em voz alta.

Estranhou a coincidência de ter tropeçado justamente em uma lápide com aqueles dizeres.

- Bobagem! Foi só uma merda de coincidência, eu não acredito nessas porcarias. – esbravejou, pulando o muro do cemitério.

Enquanto caminhava pela rua escura, sua cabeça doía muito e continuava a sangrar. Estava com medo. Pela primeira vez, Camille sentiu medo do que estava fazendo.

Maldito daquele...

Aquela inscrição não saía da cabeça dela.

Ela estava com medo. Ansiava por encontrar alguém, mas a rua estava deserta e escura. Mal podia ver o chão. Cruzou os braços e foi andando, trêmula. Repentinamente, tropeçou em suas próprias pernas e caiu novamente. Ficou alguns segundos no chão e começou a chorar.

- Você está bem?

Ela levantou a cabeça, antes de frente para o chão e só conseguiu visualizar um par de botas. A pessoa ajudou-a a se levantar e foi tirando-a do breu da madrugada. O pavor que subitamente tomou conta dela a impedia de pronunciar qualquer palavra, nem sequer um obrigado ao samaritano. Enquanto caminhavam, ele puxou papo.

- Qual é o seu nome?

- Camille!

- Você fuma? Pode me ceder um cigarro?

Ela tirou um do maço e entregou a ele.

- Pode acender para mim?

Ela pegou o isqueiro e, com as mãos tremendo, levou-o até o cigarro na boca dele. Ao acender, a chama iluminou o rosto do rapaz, e ela o reconheceu imeditamente.

- N-Não pode ser!

Ela se desesperou, empurrou-o tentando correr. Não podia acreditar que era ele. Correu muito até avistar a ponte. Olhou para trás e viu que não a seguia. Estava sem ar, não conseguia pensar em nada, só queria chegar em casa e esquecer essa terrível noite.

- Só eu e você! Agora somos só eu e você... Não foi isso que você me falou?

Era ele, agora tinha certeza, ela não conseguia correr, sentia que seu corpo já não respondia mais, caiu de joelhos.

- Não pode ser! Você está morto...! Me deixe em paz! – gritou.

Era sua maldição, maldita lápide, maldita maldição que caíra sobre ela.

Dias depois, Marcos ficou muito tenso quando chegou aquele corpo. Retirou o lençol que a cobria. Não podia acreditar que aquela fatalidade tinha acontecido. Ela estava morta. Havia dois dias, estava com ele. Fora encontrada morta naquela madrugada, resultado de um acidente banal: havia caído sobre uma pedra no cemitério. O laudo apontou uma concussão profunda no crânio. Para sorte dele, não descobriram que eles estavam juntos na funerária. Passou em sua cabeça tudo o que eles fizeram, desde quando se conheceram até a ultima noite. Lembrou das transas, de todos os mortos que saciaram seus desejos. Agora era ela, era a garota que ele amava, a pessoa que mais se parecia com ele. Tinha de ser a despedida era a última vez. O corpo de Camille o excitava, ela parecia estar dormindo. Marcos tirou a roupa e começou a tocar o corpo dela. Beijou seus lábios, seus seios e a penetrou. Ele tinha a sensação de que não estava sozinho. Estava certo. No canto da sala fria e úmida, Roberto e Camille observavam, com paciência.

Conto registrado na Biblioteca Nacional com seus direitos autorais protegidos por lei. A utilização de qualquer texto em teatro, publicações, TV, rádio, Internet e outros meios de comunicação, deverá ter autorização expressa e por escrito do autor. Para contatos com o autor, utilize o e-mail: fernandoferric@.

DOENÇA MALDITA

Autor: JRM Torres

doença

Terça-feira.

Minha desgraça começou nesse dia, quando voltei da selva amazônica. Eu havia ido ao Pico da Neblina (mais um que escalava essa montanha imponente) e passei, depois, quatro dias na região de Maturacá, a alguns quilômetros de uma cidade chamada de São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte do país.

Adorei estar naquela região inóspita, selvagem e lotada de animais exóticos.

Agora, eu estava em casa, onde moro sozinho, pronto para um merecido descanso, após quinze dias de aventura.

Oh, eu dormia!

No entanto...

Pensei que estava sonhando, ao sentir que alguma coisa passeava por cima do meu rosto. Pés diminutos, ásperos e incômodos. Um corpo sobre o meu!

Que nojo!

Não acordei. Tentei afastar aquela entidade com a mão direita.

Talvez eu tenha tocado em algo!

O certo é que os pés ásperos sumiram.

***

Quarta-feira.

Um dia cheio, em que dei entrevistas, malhei e voltei ao meu trabalho como publicitário.

Depois, eu dormia no meu quarto suntuoso.

E aí...

Novamente alguma coisa em meu rosto.

Os malditos e chatos pés! Seriam mesmo pés? Ou não?

Mas eu não conseguia acordar! Não conseguia abrir os olhos!

Com a mão direita afastei a criatura.

Voltei a dormir com tranqüilidade.

***

Quinta-feira.

Um dia comum. Trabalhei, malhei, fui ao shopping e combinei de ir, com amigos, a um clube, sábado, para me divertir um pouco.

À noite, pensei naqueles malditos pés.

Antes de deitar, eu havia efetuado uma busca pelo quarto. Não sei o que esperava encontrar. Talvez um bicho esquisito e mongolóide? Com certeza não.

Nada encontrei e pude continuar com meu sono.

Duas horas depois, os pés diminutos apareceram.

Horríveis! Indecentes! Nauseabundos!

Passeavam maliciosamente por sobre meu rosto.

Tentei acordar... sem sucesso.

O que estava acontecendo?

Mais uma vez minha mão direita agiu, livrando-me da criatura.

Seria um animal?

***

Sexta-feira.

Fui picado no rosto!

Doeu, mas não pude acordar.

Os pés diminutos, um ferrão, o ardor antipático.

Minha mão direita afastou a criatura.

Dormi mal.

Tive pesadelos com baratas, besouros, ratos, escorpiões, centopéias e minhocas. Todos em cima do meu rosto, me devorando vivo! Eu gritava de dor!

Acordei, sobressaltado, pálido e em pânico.

Por quê? O estaria acontecendo comigo?

Terei que fazer alguma coisa.

***

Sábado.

Adoeci, logo pela manhã, antes de iniciar minha corrida.

Começou com uma febre, que foi aumentando... aumentando...

Eu tossia e cheguei a vomitar duas vezes.

Uma dor de cabeça enjoada!

Uma ferida no rosto! Uma horripilante ferida surgiu no meu rosto!

Desesperado, fraco e sem forças, fui parar no hospital.

A ferida tinha um centímetro de diâmetro.

E estava crescendo gradativamente.

***

Domingo.

Alguns amigos e colegas de trabalho me visitaram. Deram-me apoio e deixaram flores e livros. Gostei das visitas.

Febre... dor de cabeça... vômitos....

A ferida! A ferida! Dois centímetros! Ardia muito!

Estou delirando, preso na porra desse hospital!

Meu Deus!

***

Segunda-feira.

Ainda doente, tentei dormir.

A febre diminuiu, mas a ferida estava lá, cada vez maior.

Ferida asquerosa, com fluidos de pus...Ardia pra cacete! Merda!

Os médicos aplicavam injeções. Eu tomava comprimidos amarelos. Um líquido estranho (seria iodo? - não perguntei) foi passado sobre a ferida. Não contei pra eles sobre a criatura que passeava sobre meu rosto. Eles não iriam acreditar mesmo.

Os pés diminutos! No meu rosto!

Mesmo sem abrir os olhos, meti a mão e o peguei.

Havia alguma coisa na minha mão. Fazia movimentos frenéticos, como se quisesse fugir. Com ódio, esmaguei-a, ao fechar a mão.

- Morra, maldita! - lembro que gritei.

Abri a mão, em seguida, e a criatura caiu no chão, em fragmentos esbagaçados.

O que seria?

***

Terça-feira.

Dois amigos vieram me visitar, durante o dia, e ficaram horrorizados com meu estado. Mesmo assim, me deram força para lutar contra esse mal misterioso.

Aproveitei para fazer um pedido inusitado: caderno e caneta. Eles estranharam, mas prometeram trazer.

Agradeci.

Depois, à noite, mais sofrimento.

Febre! Minha cabeça latejava! Estou fraco... fraco...

Havia um curativo sobre meu rosto, em cima da ferida.

Tentei mostrar a criatura para os médicos.

Mas... não havia nada em lugar algum daquele quarto! Nada, nada. Merda! Como é possível? Como, meu Deus?

Teria eu imaginado aquilo?

Estaria ficando louco?!?

Minha respiração! Como está difícil respirar, falar, viver!

Não dormi, embora fechasse os olhos.

***

Quarta-feira.

Estou morrendo...

Tenho diarréia. Já vomitei sangue. Emagreci.

Meus amigos trouxeram o caderno e a caneta e agora estou escrevendo minhas angústias. Estou relatando tudo, para que sirva de alerta, caso novos casos ocorram. Algo de macabro está acontecendo na selva amazônica, principalmente na região de Maturacá. Aquela área deve ser investigada.

Escrevo... com dificuldades...

Não consegui esquecer a criatura se mexendo na minha mão, a forma como a matei. Mas... para onde foi? Não teria morrido?

Os médicos estão fazendo de tudo para salvar minha vida. De tudo!

Fui transferido para outro hospital, especializado em doenças tropicais.

Um deles disse que minha doença tem algo a ver com os dias em que passei na selva amazônica. Porém, não puderam diagnosticar precisamente de que mal fui vitimado.

Exames (de sangue, urina, fezes, etc) estão sendo realizados.

***

Quinta-feira.

Dor de cabeça!

Alguns amigos e colegas de trabalho tentaram me visitar, mas foram proibidos de entrar no meu quarto. Eu estava incomunicável.

Tentei lembrar de ter sido picado por algum inseto, enquanto estava na selva, mas nada me veio à memória.

A não ser aquele índio Yanomami, de quarenta e poucos anos, que havia contraído uma espécie rara e mortífera de malária, numa das aldeias de Maturacá.

O índio estava deitado na rede. Pálido, magro e soltava gritos de agonia.

Acompanhei o sofrimento dele por quatro dias, até vê-lo morrer.

Uma morte pavorosa!

Ele tinha visões de insetos, de monstros e apontava para o canto da casa.

Gritava muito, no seu dialeto. Os familiares, em desespero, lhe davam chás.

O médico de nossa equipe não soube o que fazer, pois não tinha remédio apropriado para aquela doença estranha.

O índio morreu magro, em convulsões terríveis!

Custei para tirar aquela imagem da cabeça.

E soube que outras mortes aconteceram, nos últimos meses. Seria um surto?

Nos perguntamos se aquela doença seria mesmo malária.

E agora... eu me pergunto: estarei desenvolvendo os mesmos sintomas? Será?

Tenho pesadelos!

Nessa noite, sonhei que uma horrenda barata gigante e negra me picava.

Aqueles olhos! Aqueles olhos sinistros!

Havia mosquitos por toda a parte. Mosquitos nojentos! Todos me devoravam!

Gritei de dor e medo.

***

Sexta-feira.

Atualizei o caderno. Os médicos o viram, mas não ousaram ler o que ali estava escrito. Ótimo.

Passo os dias sofrendo e escrevendo.

Minha ferida estava enorme! Seis centímetros de diâmetro! Meu Deus! Uma ferida horrível! O pus era visível, quando os médicos trocaram o curativo.

Minha respiração! Febre! Dores pelo corpo! Diarréia!

Eu estava pesando cinqüenta quilos. Magro! Excessivamente magro! Rosto cadavérico, com sulcos profundos nos olhos! Eu estava me transformando numa espécie de zumbi. Entrei em pânico.

O quarto estava infestado de insetos!

Vários deles andavam por sobre meu rosto.

Besouros... moscas... mosquitos... baratas! Horripilantes... picando... destruindo...

Nããããoooooo!!!!

Gritei.

***

Sábado.

Estou isolado dos demais pacientes. Os médicos ainda não descobriram que doença eu tenho. Eles se aproximam com máscaras, luvas e roupas especiais.

Minhas dores estão insuportáveis.

Eu passo os dias chorando... escrevendo... agüentando as dores...

Lembrei de minha mãe, já falecida. Sinto falta dela, que poderia estar aqui comigo, me dando forças. Onde estás, mamãe? Não tenho irmãos... não tenho esposa.... filhos... não tenho ninguém... uma ignóbil depressão sufoca meu peito...

Só. Absolutamente só!

Estou magro, parecendo um monstro...

A ferida já toma quase a metade do meu rosto...

Apenas a morfina ameniza meu sofrimento...

***

Domingo.

Não consigo respirar! Meu Deus! Estou morrendo!

As dores! Não consigo suportá-las!

Lembrei do índio agonizando. Pálido! Magro! Com visões! Os mesmos sintomas... doença rara... por quê?

Por que eu?

Detesto o cheiro do quarto desse hospital! Essas paredes... são cruéis...

A escuridão me cerca! Trevas! Caos! Desespero!

Não... consigo...

E continuo escrevendo... escrevendo... ou tentando... mesmo sem forças... até que...

Amo você, mamãe! Meu Deus! Meu Deus!

Não! Não tenho mais forças para escrever.

Vou deixar o caderno em cima da mesa.

***

Segunda-feira.

A enfermeira ouviu os gritos e chamou os médicos.

Ela e dois médicos entraram no quarto, às pressas.

E o que viram...

***

Nos jornais, a manchete:

“Publicitário e alpinista morre em São Paulo”

“Lucas Kriter Malcom, 32 anos, solteiro, morreu ontem, vitimado por uma doença misteriosa, uma mistura de malária (daí os vômitos) e leshimaniose (por causa da ferida no rosto). Os médicos acreditam que tenha sido picado por vários tipos de insetos, durante sua permanência na selva amazônica, onde escalou recentemente o Pico da Neblina. Os especialistas em doença tropicais farão mais exames no corpo, para definir a doença exata que o acometeu. E não podemos deixar de registrar um fato estranho, que ocorreu poucos minutos antes de sua morte. Os médicos entraram no quarto, após ouvirem gritos, e se depararam com uma cena bizarra. Lucas, trêmulo, os olhos arregalados, demonstrando terror extremo, sentado na cama, apontava para um dos cantos do quarto e gritava: “Ali! Ali! A barata! A barata que me picou! Ali! Ali!”. Logo em seguida entrou em convulsão e morreu. Porém, não havia nenhuma barata no quarto. Os médicos acreditam que ele entrou em delírio, devido ao seu estado físico. O morto, que era órfão, não deixou filhos. Na verdade, deixou um caderno, onde relatou os seus momentos de sofrimento. Com base nas informações contidas no caderno, uma equipe médica irá percorrer a região de Maturacá, para verificar se há mesmo algo de errado acontecendo ali. Para finalizar, ficamos com a pergunta: que segredos se escondem na selva amazônica? Teria o Lucas morrido de uma doença nova, tão fatal quanto o Ebola? Esperamos que não. E rezaremos por sua alma."

O JOVEM E A VELHA

Autor: Jedua

O JOVEM E A VELHA

Autor: Jeduartejr

Clóvis

Jovem estava no escritório de sua casa escrevendo, como sempre, um conto de terror para o Recanto das Letras. Já se tinham passado quatro horas, e, mesmo assim, Jovem continuava a escrever seu assustador conto, quando de repente chega ao pé da porta sua filha, queixando-se de insônia.

-Pai, eu não consigo dormir - reclama a menina, coçando o olho.

Seu pai se vira assustado, vê uma menininha enrolada num lençol, e se comove...

-Não entendo. Por que não consegue dormir, Velha?

-Não sei – responde a menina. – Tô com medo...

Jovem se levanta e olha sua filha nos olhos bem adentro, perguntando-se qual o motivo de tal emoção.

-Qual o motivo de tal emoção?

-O que é emoção?

-Ué, você não sabe?

-Não – respondeu a menina meigamente, fazendo uma carinha extremamente fofa, que comoveria o mais durão dos touros.

Jovem vai em direção a Velha e a pega nos braços, deixando que ela o acaricie nos cabelos, ato que sempre fazia.

-Encontrou algum piolho?

-Não, mas tem um piolho enorme lá no meu quarto... – terminou fazendo um biquinho.

-Eu adoro quando você faz isso.

A menina de quatro anos, loira e de olhos azuis, devolve-lhe uma gargalhada, acariciando ainda mais os cabelos de seu pai.

-Qué bejoo – diz Velha.

-Beijo, aonde?

-Na boca.

-Não, pode não, sua mãe fica com ciúmes – brinca o pai.

-Mamãe tá dormindo, papai – diz, mais meigamente ainda. – Tu num sabia não é?

-Ah, eu num sabia – responde o homem. – Então só um, certo?

-Tá – diz a menina nos braços de seu pai.

Jovem dá um sorriso, beija o nariz de sua filha e, logo depois, dá-lhe um selinho.A menina fica feliz da vida por ter conseguido beijar seu pai, sentia-se a maior por beijar um adulto – ainda mais sendo na boca.

-Quero mais – diz a menina, fofa.

Jovem começa a sentir um fogo invadindo-lhe o coração.

-Vamos pro seu quarto? – pergunta-lhe o adulto.

-Vamo – sussurra a menina de repente.

Jovem vai levando-a nos braços, a linda menininha, em direção ao quarto colorido que pagara com tanto sacrifício.Bota a menina na cama, sentada, e começa a tirar seu pequeno vestido, depois a calcinha, até deixá-la completamente pelada.

-Porque você ta fazendo isso? – pergunta ao adulto, pensando que era uma brincadeira.

-Agente vai brincar – diz o homem – Você quer brincar?

-Eba! – grita a menina, feliz da vida; Velha adorava brincadeiras novas.

-Shhh. – diz o pai, com o dedo indicador sentenciando o silêncio. – Se sua mãe acordar ela vai estragar a brincadeira.

-Desculpe, pai.

Seu pai também foi tirando a própria roupa, inclusive a cueca, e subindo na menina, que não pode gritar – seu pai a segurava pela boca. Sabe-se lá que brincadeira era aquela.

O dia amanheceu como que num piscar de olhos. Sofrida estava em seu leito, dormindo tranqüilamente, mas, ao perceber a falta de seu marido ao lado, decidiu sair para procurá-lo.Levantou-se e procurou por ele em algumas partes da casa, nada de encontrá-lo.”Deve ter ido a igreja”, pensou Sofrida. Então, já que se levantara, decidiu dar uma passada no quarto de sua filha para desejar um bom dia.

Foi subindo as escadas e, ao chegar em cima, encaminhou-se ao quarto da garotinha, como a chamava. Foi descerrando aos poucos a porta semi-aberta e, lá dentro, viu que seu marido tinha dormido por lá mesmo, estando coberto pelo lençol – Velha também compartilhava do pano.

Com um sorriso no rosto, comovendo-se com a cena vista por seus olhos d’água, foi se aproximando e, ao puxar o lençol, constatou um fato estranho estranha – sua filha estava sem roupa. Mas, o que mais a surpreendeu, foi quando avistou seu marido sem roupa. Não os acordou, tinha reparado a vagina de Velha vermelha e, seu marido, ele não respirava... Sua filha também não!

Percorreu mais ainda os corpos dos amados, e viu, na cabeça de ambos os familiares, um buraco enorme, e, na mão de Jovem, uma pistola com silenciador. Começou a tremer repentinamente, a mão na boca, lagrimas saindo, toda a força tinha se esvaído. Não tinha mais razões para nada, nem para depois da morte. Ficou observando os dois amores, chorando, rindo, não se sabia bem o que...

Olhou novamente para o amor homem, seu marido, foi descendo os olhos por seu braço, parando fixamente as pupilas na pistola.Caminhou lentamente, tremendo do pé à cabeça, e, e, pegando a arma, após olha-los pela ultima vez, pôs a arma na cabeça.

-Até logo – murmurou, desenhando um último buraco, agora em sua cabeça. Afinal de contas, quando sua filha, anteontem, a chamara para dizer que Invejoso, da sua classe, a tinha chamada de burra, dissera que todos somos iguais e que nenhum é melhor nem pior que o outro.

Estava agora igual a seus amores...

rtejr


Jovem estava no escritório de sua casa escrevendo, como sempre, um conto de terror para o Recanto das Letras. Já se tinham passado quatro horas, e, mesmo assim, Jovem continuava a escrever seu assustador conto, quando de repente chega ao pé da porta sua filha, queixando-se de insônia.

-Pai, eu não consigo dormir - reclama a menina, coçando o olho.

Seu pai se vira assustado, vê uma menininha enrolada num lençol, e se comove...

-Não entendo. Por que não consegue dormir, Velha?

-Não sei – responde a menina. – Tô com medo...

Jovem se levanta e olha sua filha nos olhos bem adentro, perguntando-se qual o motivo de tal emoção.

-Qual o motivo de tal emoção?

-O que é emoção?

-Ué, você não sabe?

-Não – respondeu a menina meigamente, fazendo uma carinha extremamente fofa, que comoveria o mais durão dos touros.

Jovem vai em direção a Velha e a pega nos braços, deixando que ela o acaricie nos cabelos, ato que sempre fazia.

-Encontrou algum piolho?

-Não, mas tem um piolho enorme lá no meu quarto... – terminou fazendo um biquinho.

-Eu adoro quando você faz isso.

A menina de quatro anos, loira e de olhos azuis, devolve-lhe uma gargalhada, acariciando ainda mais os cabelos de seu pai.

-Qué bejoo – diz Velha.

-Beijo, aonde?

-Na boca.

-Não, pode não, sua mãe fica com ciúmes – brinca o pai.

-Mamãe tá dormindo, papai – diz, mais meigamente ainda. – Tu num sabia não é?

-Ah, eu num sabia – responde o homem. – Então só um, certo?

-Tá – diz a menina nos braços de seu pai.

Jovem dá um sorriso, beija o nariz de sua filha e, logo depois, dá-lhe um selinho.A menina fica feliz da vida por ter conseguido beijar seu pai, sentia-se a maior por beijar um adulto – ainda mais sendo na boca.

-Quero mais – diz a menina, fofa.

Jovem começa a sentir um fogo invadindo-lhe o coração.

-Vamos pro seu quarto? – pergunta-lhe o adulto.

-Vamo – sussurra a menina de repente.

Jovem vai levando-a nos braços, a linda menininha, em direção ao quarto colorido que pagara com tanto sacrifício.Bota a menina na cama, sentada, e começa a tirar seu pequeno vestido, depois a calcinha, até deixá-la completamente pelada.

-Porque você ta fazendo isso? – pergunta ao adulto, pensando que era uma brincadeira.

-Agente vai brincar – diz o homem – Você quer brincar?

-Eba! – grita a menina, feliz da vida; Velha adorava brincadeiras novas.

-Shhh. – diz o pai, com o dedo indicador sentenciando o silêncio. – Se sua mãe acordar ela vai estragar a brincadeira.

-Desculpe, pai.

Seu pai também foi tirando a própria roupa, inclusive a cueca, e subindo na menina, que não pode gritar – seu pai a segurava pela boca. Sabe-se lá que brincadeira era aquela.

O dia amanheceu como que num piscar de olhos. Sofrida estava em seu leito, dormindo tranqüilamente, mas, ao perceber a falta de seu marido ao lado, decidiu sair para procurá-lo.Levantou-se e procurou por ele em algumas partes da casa, nada de encontrá-lo.”Deve ter ido a igreja”, pensou Sofrida. Então, já que se levantara, decidiu dar uma passada no quarto de sua filha para desejar um bom dia.

Foi subindo as escadas e, ao chegar em cima, encaminhou-se ao quarto da garotinha, como a chamava. Foi descerrando aos poucos a porta semi-aberta e, lá dentro, viu que seu marido tinha dormido por lá mesmo, estando coberto pelo lençol – Velha também compartilhava do pano.

Com um sorriso no rosto, comovendo-se com a cena vista por seus olhos d’água, foi se aproximando e, ao puxar o lençol, constatou um fato estranho estranha – sua filha estava sem roupa. Mas, o que mais a surpreendeu, foi quando avistou seu marido sem roupa. Não os acordou, tinha reparado a vagina de Velha vermelha e, seu marido, ele não respirava... Sua filha também não!

Percorreu mais ainda os corpos dos amados, e viu, na cabeça de ambos os familiares, um buraco enorme, e, na mão de Jovem, uma pistola com silenciador. Começou a tremer repentinamente, a mão na boca, lagrimas saindo, toda a força tinha se esvaído. Não tinha mais razões para nada, nem para depois da morte. Ficou observando os dois amores, chorando, rindo, não se sabia bem o que...

Olhou novamente para o amor homem, seu marido, foi descendo os olhos por seu braço, parando fixamente as pupilas na pistola.Caminhou lentamente, tremendo do pé à cabeça, e, e, pegando a arma, após olha-los pela ultima vez, pôs a arma na cabeça.

-Até logo – murmurou, desenhando um último buraco, agora em sua cabeça. Afinal de contas, quando sua filha, anteontem, a chamara para dizer que Invejoso, da sua classe, a tinha chamada de burra, dissera que todos somos iguais e que nenhum é melhor nem pior que o outro.

Estava agora igual a seus amores...


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